Religião e Política, sim; Igreja e Estado, não.

Mar
23

QUANTO MAIS ESTUDO a história do envolvimento político cristão e a realidade global dos evangélicos na política contemporânea, mais convicto me torno de duas coisas.

Uma é a relação entre a atuação política evangélica e os outros aspectos da realidade eclesiástica, pois a longo prazo o envolvimento político sadio é imprescindível para a saúde da própria igreja, assim como para o bem da sociedade.

A outra é a importância do caso brasileiro, pois a comunidade evangélica brasileira é a segunda maior do mundo. Seu bom exemplo na política seria muito útil para contrabalançar o desastrado engajamento político da direita cristã nos Estados Unidos, que tem prejudicado o nome de “evangélico” no mundo inteiro (ver meu artigo Evangélicos ajudam a reeleger Bush, publicado na edição de janeiro-fevereiro de 2005 da revista Ultimato).

No entanto, na Europa muitas pessoas acreditam que o crescimento evangélico em vários países do Terceiro Mundo é tão perigoso para a política quanto o crescimento do fundamentalismo islâmico. Com todas as suas falhas, a política evangélica no Brasil desmente isso e aponta para outro futuro. O envolvimento político evangélico no Terceiro Mundo, em certo sentido “liderado” pelo Brasil, não é irmão gêmeo do radicalismo islâmico, nem cópia da direita cristã norte-americana. Ele vem escrevendo uma outra história, para a qual esperamos contribuir com este livro.

Paul Freston
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